sábado, 31 de julho de 2010

O LEITOR - poema 09


Ray Caesar - French Kiss

O LEITOR 
(a noiva lê carta antiga)
H.W.


Sim, façamos alarde sobre o meu silêncio
Porque os anos dormidos se dobram sobre todo o meu tempo
Hoje ou ontem, apenas atropelos e supostas palavras
E eu digo a ti, ausentado e redescoberto: Ainda.

Agora, reinvento tua máscara antiga apenas para descobrir
E descubro. E és. Ainda que fosses o rosto indesejado
Desejo-te. Como vislumbro num sonho de hoje o estranho que 

                                                                    [continuas ser
Apenas meu. Existido para mim e a mim inventando:

Somos nossos delírios - eu em ti, repouso da loucura econtrada 

                                                                           [e talvez
(eu) não seja mais do que as palavras que forjaste das palavras 

                                                                          [que forjei.

(Assim) tu, apenas texto da confidência tua que manipulo
ao ler - incógnito e concreto e pesado como um anjo mau,
recoberto de durezas, contradições e
das coisas certeiras que me fazem tua
destinatária e alguma promessa que talvez habite os espelhos.


11 comentários:

Por que você faz poema? disse...

Entre destinatário e remetente há bem mais do que silêncio.

Lara Amaral disse...

Vim por indicação do Herculano, foi ficar, adorei aqui.

Beijos.

Liis Sixx disse...

Vim por indicação ²
Amei esse poema, principalmente o penúltimo parágrafo diga-se de passagem...
Vou te seguir!
beijinhos

Fulana Miranda disse...

Obrigada pelo carinho, meninas!
As coisas aqui andam bem vagarosas. Vez em quando tem alguma novidade.
beijos

Wanda disse...

Adorei todos os teus versos aqui,
que força lirica,
tao feminina
mas sem cliches.

Zé alberto disse...

Olá,

Entrei sorrateiro, como um gatito pequenito, e adorei teu texto de apresentação, tão original!!
Este poema é "forte", admirei sua "energia".
interessante a forma como você articula as ideias nos versos, gostei mto.

Cumpts!

* do Blog "Cenas Gagas"

Ana Claudia disse...

Cheguei e gostei! Um beijo

Fabrício disse...

"(eu) não seja mais do que as palavras que forjaste das palavras
que forjei."

Gosto desses "impactos" que se encontram enquanto se lê os seus poemas.


um abraço

Anônimo disse...

Belo, o poema. É verdade, o signo define a boca que o articula. E não somos mais do que reflexos, um efeito, do discurso que articulamos. Porém, é verdade também que somos um pouco mais do que mera invenção simbólica ou um pouco menos, pouco importa. De todo modo, feliz do destinatário do poema. Mas eu não queria, mesmo assim, ser H. W.

Jorge Ampuero disse...

Intenso...

Un abrazo :)

Henrique disse...

!!!

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