terça-feira, 30 de novembro de 2010

A FÉ DOS PUROS - poema 11


Klimt - O friso Beethoven


A FÉ DOS PUROS

Lá onde estão os humanos
empilhei pedras e areia
consolidei montanhas, cavernas
e caminhos sinuosos.
Estendi minha escuridão antiga à
minha escuridão futura.
Encantei serpentes,
pus a dormir em sacos
alimentei-as com maçãs e mel.
Com clareza de voz,
li evangelhos sobre almas
menores que rostos,
e semblantes magros e profundos
que são seus próprios espíritos.
E muitos foram os que me seguiram
entre gigantes, amantes vingados,
mulheres e seus sobressaltos.
E adentramos a infinita solidão
dos que recebem as incumbências de um mundo
que não nos são ditas
entre as sarças na paisagem de nossos sonhos.
No milagre difícil,
de um silêncio do haver sem respostas,
amamos humanamente
o Deus sem qualquer promessa,
perdoamos nossas mágoas e medos,
repreendemos a grande tentação
de aguardar o infalível socorro.
E assim, estendidos à escuridão
do grande céu do ermo distante,
somos os primeiros a enxergar,
pacíficos e sem surpresas,
a semelhança.


2 comentários:

Fabrício disse...

Muito bom e também muito ousado.


Abraço

FOLIÃO DE RAÇA disse...

É por essas e outras que eu te amo... Henrique Wagner

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