quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A INSÔNIA DE FEDRA - poema 03; traduções 02

A INSÔNIA DE FEDRA

- (...); conheço minha infidelidade, Enone, e não sou 
dessas mulheres impudentes que tiram do crime uma espécie
 de máscara que põe em seu rosto calma e serenidade. 
Conheço minhas loucuras, não esqueço nenhuma. 
Já vejo estes muros e estas colunas adquirindo
 vozes para me acusar. (Racine)

Retalho-me em cortes profundos.
Não há nomes que me revelem.
Já me deitei sendo muitas
e eis que acordo e sou apenas Ele.
Coleciono pedras que atiro contra o espelho.

O espelho de dedos em riste
e unhas sujas de corrupções e fluidos de amores torpes.
Filete de vidro agudo fincado por baixo da pele.
Já me escarnei com precisões cirúrgicas
em meio à escuridão e ao sono que não é meu.
Retirado o espinho de vidro,
saberão todos eles como me acostumei aos suicídios.
Abafo o grito que é de todos os cortes.
Peço silêncio à violência que Ele me traz.

Teseu das Guerras dorme
Entre os lençóis frios.


Alexandre Cabanel - Fedra (detalhe)- 1880


  Alexandre Cabanel - Fedra (detalhe) - 1880

El insomnio de Fedra
- (...); conozco mi infidelidad, Enone, y no soy de esas mujeres impúdicas que sacan del crimen una especie de máscara que pone en su rostro calma y serenidad. Conozco mis locuras, no olvido ninguna. Ya veo estos muros y estas columnas adquiriendo voces para acusarme. (Racine)

Me cerceno en cortes profundos.
No hay nombres que me revelen.
Ya me acosté siendo muchas
y he aquí que despierto y soy apenas Él.

Colecciono piedras que arrojo contra el espejo.
El espejo de dedos en ristre
y uñas sucias de corrupciones y fluidos de amores torpes.
Filete de vidrio agudo enquistado bajo la piel.
Ya me descarné con precisión quirúrgica
en medio de la oscuridad y el sueño que no es mío.
Retirada la espina de vidrio,
sabrán todos ellos como me acostumbré a suicidios.

Ahogo el grito de todas las heridas.
Pido silencio a la violencia que Él me trae.
Teseo de las Guerras duerme
Entre las sábanas frías.

Poema: Fabrícia Miranda
Tradução do português: john galán

4 comentários:

Álvaro disse...

"Já me deitei sendo muitas
e eis que acordo e sou apenas Ele"


bonito...

beijo.

(ah, o link tava num quadro da Aliança Francesa, mas não lembro se você estava lá)

Álvaro disse...

São meus, seja qual for a sentença.
=)

Jorge Ampuero disse...

Hola Fabricia:

Un poema muy intenso que revela las estremecidas raíces de tu poética. Me gusta mucho y espero que entiendas mi español.

Besitos...

Anônimo disse...

Sim, provavelmente por isso e

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